sábado, 26 de junho de 2010

Capitulo 4: Permant (UM DOS MAIORES CAPITULOS EVER) - Parte 1

Respirei fundo. Caminhar pelos corredores da escola nunca foi tão assustador. Eu procurava alguém pra me chamar de doido. Alguém pra me dizer que eu precisava de terapia. Alguém pra me chamar de esquizofrênico e me proibir de assistir Donnie Darko por pelo menos uma vida. Mas e quanto a coragem pra chegar a alguém e contar? Como dizer que o professor de matemática estava possuído ou algo assim a alguém? Não, tinha que ser alguém que eu confiasse. Alguém que eu confiasse e que fosse me dizer que eu estou louco. Não pode ser alguém gentil, delicado. Vai achar um jeito de adocicar as coisas pra mim. Eu quero alguém que vá direto ao ponto, com certo deboche se preciso. Eu quero terapia de choque. Eu quero o Rui. Rui é meu professor de geografia, está sempre questionando e é inteligentíssimo. E a pessoa que eu procuro pra falar sobre teoria da conspiração. Ele e o Yamato, mas... bem, o Yamato já sabe, ele teve uma experiência parecida e talz... Mas ainda assim, algo me dizia que Rui precisava saber. Cheguei a sala dos professores, e bati timidamente na porta. Que tipo de idiota vai a sala dos professores quando está matando aula? pensei comigo mesmo.
A porta se abriu e uma mulher magra, alta, encarou-me. Os cabelos louros presos num rabo de cavalo, a raiz aparecendo. Uma blusa extremamente colorida e uma calça jeans extremamente justa, somados a um sapato de salto completavam o visual. Os olhos verde-água fitando-me de maneira gélida indicavam que ela não estava muito contente. A atmosfera séria do local transpassou a porta quando eu estiquei meu pescoço tentando ver o que lá dentro se passava.
“Posso ajudar?” Perguntou, com certa raiva, fazendo-me acordar para o fato de que eu lhe batera a porta, logo, eu deveria começar a falar.
“Eu gostaria de...” comecei
“Mais alto, por favor.” Ela me interrompeu
“Ruimar, por favor.” Disse, abaixando o olhar. Algo nela me assustava.
“Rui?” a coordenadora chamou, fazendo o homem levantar-se de sua cadeira e vir até a porta
“Sim?” O homem alto, ligeiramente acima do peso, de camisa vermelha amarrotada e calça jeans veio até nós
“Quer falar com você.” Ela encarou-me de maneira estranha. Rui levantou a sobrancelha e encarou-me por alguns segundos.
“Fala” disse ele, dando uma risada em seguida
Olhei com o canto dos olhos para a coordenadora, e ele meio que entendeu.
“Com licença” Disse, saindo da sala dos professores e me fazendo sinal pra segui-lo. Paramos na porta da biblioteca.
“Agora fala.” Encarou-me, já sem o sorriso

Capitulo 3: Going Through The Motions

AVISO: Esse capitulo é uma merdinha. Uma coisa mínima, que serve só pra pular a parte desinteressante, direto pra legal. Então, é um resumo do que aconteceu entre o capitulo 2 e o 4. Fiquem frios, nada importante se perdeu aqui.


Semanas se passaram sem que eu ao menos notasse. Eu estava ficando cada vez mais obcecado com essa história de sonhos. Durante uma prova de história eu vi um numero flutuando diante de mim. 3142. Pesquisei a respeito, desde um meteoro até senhas. Tentei tudo, 3142 não se encaixava em nada. Páginas de livros, Google, 31m:42s de filmes sobre catástrofes... nada de nada.
Sonhei que eu o desmascarava, e ele me perseguia. Sonhei que minha professora de português e meu professor de geografia estavam me observando, me protegendo. Sonhei que o apocalipse estava diretamente ligado ao professor de matemática, e ao que ele precisava fazer. E sonhei que eu era parte disso. Sonhei que fugia dele. Sonhei que tinha força sobre-humana. Sonhei que com o simples ato de fechar os olhos eu podia ver cada pessoa má ao meu redor, e cada pessoa possuída. Sonhei que tinha telecinesia.
O professor falou que Deus o mandou vender uma passagem de ônibus, pois o ônibus ia cair. Falou que Deus conversava com pessoas especiais em sonhos. Quando eu questionei o porque de Deus mandá-lo vender a passagem, ao invés de queimar, e por que Deus daria a ele o direito de escolher alguém pra morrer em seu lugar, ele respondeu que sentia algo especial em mim, e que eu era o escolhido. E isso não foi um sonho.
Os sonhos pararam, e então eu voltei ao normal. Então voltaram.
Sonhei que eu matava Dayana. Sonhei que ele matava Dayana, e dizia que a culpa era minha.
Ele disse para que quem estivesse sonhando com ele o procurasse. Isso foi, no mínimo, suspeito.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Capitulo 2: One Step At A Time

O homem magro de pele branca caminhou pelo úmido chão de pedra, ouvindo ao longe gemidos de lamúria e dor. Todo aquele sofrimento... Delicioso. Alcançou um grande portal de pedra esculpida, aonde expressões de sofrimento viam-se nitidamente.
Silencioso como uma serpente, abriu o grande portão de madeira, revelando o interior frio e úmido, das paredes decoradas com sangue. No centro da caverna via-se uma mesa de pedra, com assentos em pedra forrados com pele humana. Aproximou-se da grande mesa, sentando na mais alta cadeira. Observou o tabuleiro de xadrez diante de si, todo esculpido em ossos. Ossos humanos.
“Sabe, Hades,” começou uma voz feminina, suave, encantadora “Seu filho dirá não.”
A mão enrugada tocou-lhe no ombro, contrastando com a voz suave ouvida agora a pouco.
“Ele se revoltará” Disse outra voz, delicadamente soprando em seu ouvido.
“Ele será tudo aquilo que você não deseja.” Disse uma terceira mulher, tão enrugada quanto as outras duas, deitando-se de maneira provocante sobre a mesa. Maneira essa que causava certo desconforto a Hades. As Moiras sabiam como ninguém causar desconforto a ele.
“Olha,” Hades encarou o rosto enrugado e sem cor da mulher diante de si, enquanto as outras duas acomodavam-se perto desta. Tentou focar nas cavidades vazias como se as olhasse nos olhos. “Por que não deixamos ele decidir por si mesmo?”
As três suspiraram
“E alem do mais” Hades girou em sua cadeira, levantando-se confiante “Eu tenho outros planos em mente.”
“Tem?” a do meio levantou-se sorrateiramente. Se Hades conseguisse destingi-las, trancaria as três em celas separadas pelo resto de suas vidas eternas.
“Você sabe que este plano também não dará certo, não sabe?” A da esquerda soltou um sorriso cruel, e Hades podia sentir o olhar de deboche vindo das orbitas vazias.
“Eu adoraria que vocês parassem de ficar repetindo isso.” A voz de Hades alterou-se, seguida de um suspiro quando alguns fios de cabelo azuis caíram sobre seu rosto
“Por que não fazem assim:” Começou o homem, tentando não ter um ataque de fúria. Era isso que elas queriam. “Vão brincar com seus fios. Tenho certeza que podem fazer um belo casaquinho de crochê com a vida de alguém” zombou.
“Nosso poder é maior do que imagina, tolo.” Disseram, ofendidas, momentos antes de desaparecer.
Rolou os olhos e caminhou até uma área onde havia um espelho. Encarou-se na superfície lisa emoldurada por mais ossos humanos.
Encarou seu rosto por alguns instantes enquanto o moldava ao modo desejado. A cabeleira azul dava lugar a uma careca com poucos fios grisalhos, o rosto tornava-se ligeiramente mais gordo, assim como seu corpo, que tomava um altura menor, e ganhava uma cor mais... viva. Os olhos amarelos tomando aparência castanho-claro. Completando, roupas comuns em tons pastéis que davam a ele náuseas, mas ajudavam a convencer que ele era um simples professor de matemática. E precisava correr, pois era hora da aula.